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A medicina do sono
constitui uma sub-especialização médica recente (especialidade em
diversos países da Europa e dos Estados Unidos) com foco
predominante no sono, enquanto factor fundamental para o bem-estar físico,
psíquico e social (definição de saúde, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde).
A medicina do sono
tem sido desenvolvida ao longo dos últimos 100 anos, afirmando as
suas bases multidisciplinares que envolvem a psiquiatria,
neurologia, neurociência, pediatria, pneumologia,
otorrinolaringologia e medicina dentária, entre outras disciplinas
médicas.
A sonolência e
excessiva fadiga durante o dia são reflexo provável de um sono
insuficiente ou não reparador, muitas vezes associados a quadros clínicos
complexos intrínsecos ao próprio sono, como algumas insónias,
perturbações respiratórias, hipersónias de origem central, parasónias
e perturbações motoras. Por outro lado, alterações extrínsecas
como as perturbações do ritmo circadiário (desacerto do relógio
biológico interno em relação ao “relógio social”)
encontram-se frequentemente ligadas a traços de sonolência, de
alterações do estado de humor, depressão e diversos problemas médicos
gerais, sendo causa constante de insucesso escolar e de redução na
produtividade geral.
Existem 89 doenças
do sono classificadas pela Academia Americana de Medicina do Sono
(Internacional Classifications of Sleep Disorders – ICSD-2) em 8
grupos principais (insónias, Perturbações Respiratórias do Sono,
Hipersónias de Origem Central, Doenças do Ritmo Circadiário,
Parasónias, Perturbações Motoras do Sono, Sintomas
Isolados/Aparentemente Variantes do normal e Outras Doenças do
Sono, sendo claro que, algumas delas têm um maior impacto na saúde
pública e na sociedade em geral.
A insónia é uma
das queixas mais frequentes em clínica médica e na sua origem
podem estar factores relacionados com a má higiene do sono, com a
inadaptação de horários, com problemas psicológicos e psiquiátricos
ou simplesmente com um excesso de actividade momentânea causado por
uma preocupação passageira ou por um estado relativo de ansiedade.
As Perturbações
Respiratórias associadas ao Sono (ressonar, pausas respiratórias
– apneias nocturnas, aumento da resistência das vias aéreas e
outras), causam incapacidade individual e colectiva (quando afectam
o parceiro/a de cama), cujas consequências, de gravidade variável,
não são negligenciáveis. Entre outros problemas, o ressonar e a
apneia do sono associam-se a uma maior incidência de doenças
cardiovasculares, hipertensão, diabetes, obesidade e morte súbita.
Outros problemas
frequentes como a Síndrome de Pernas Inquietas, Movimentos Periódicos
dos Membros, Bruxismo Nocturno (ranger dos dentes) e pesadelos, são
indutores de despertares, muitas vezes não percebidos pelo doente
mas que desfragmentam o sono e causam irritabilidade, sonolência,
falta de memória, dificuldade de concentração, etc.
A par dos problemas
que ocorrem por privação de sono, existem alterações que surgem
durante os períodos normais de vigília mas que, por serem
influenciados pelo controlo dos mecanismos de sono, se enquadram nas
doenças de sono (o exemplo da Síndrome de Narcolepsia-Cataplexia).
Tudo isto se agrava
na presença de determinadas patologias como depressão,
fibromialgia, algumas epilepsias, tumores cerebrais… e por sua
vez, estas condições patológicas influem num ciclo de actividade
disfuncional com repercussões porventura graves para o paciente e
para a família.
Dr.
Miguel Meira e Cruz
Médico
Dentista licenciado pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde
Egas Moniz
Master
Universitário em Fisiologia e Medicina do Sono pela Universidad
Pablo de Olavide, Sevilha
Especializado
em Neurociências pela Faculdade de Medicina de Lisboa
Especializado
em Ciências do Sono pela Faculdade de Medicina de Lisboa (tese de
mestrado: tratamento da apneia obstrutiva do sono com dispositivos
intra-orais)
Prática
Clínica e Investigação em Medicina do Sono aplicada às Perturbações
Respiratórias
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